História do CAFV
(por Diogo Antônio Bach de Mattos)
O objetivo do Centro Acadêmico Ferreira Vianna sempre foi defender os direitos dos alunos e zelar pela qualidade do ensino ministrado na Faculdade de Direito. Assim, logo após a sua criação, o órgão engajou-se no movimento pela construção de um prédio próprio para a Faculdade de Direito, pois desde a sua fundação esta vinha funcionando em prédios alugados. Inclusive, em 1917 ela chegou a funcionar na residência particular do Doutor Pio Júlio Antunes, diretor do Colégio Pelotense.
A campanha funcionava da seguinte maneira: uma vez por mês, todos os estudantes regularmente matriculados na Faculdade de Direito tinham que depositar uma quantia em uma conta aberta para esse fim, a não ser que declarassem, num documento em cartório, que não queriam contribuir.
Paralelamente, já em 1919, era lançado o primeiro jornal do Grêmio Acadêmico Jurídico, “O Acadêmico”. Infelizmente ele só durou até o ano seguinte.
Finalmente, no final da década de 20, foi comprado um prédio para alojar a Faculdade de Direito. Porém, de comum acordo com a direção da Faculdade, decidiu-se vender aquele prédio e o dinheiro obtido com a venda foi aplicado na construção do atual prédio da Faculdade, afinal inaugurado em 1929.
Em 1930, o jurista e político pelotense Antônio Ferreira Vianna, cuja biografia segue em anexo, foi escolhido, com consentimento de seus descendentes, patrono do Grêmio Acadêmico Jurídico, que acrescentou Ferreira Vianna a sua denominação.
A partir de 1931, o Grêmio Acadêmico Jurídico Ferreira Vianna começou uma nova luta, que foi a obtenção do reconhecimento da Faculdade de Direito pelo Governo Federal. Unindo-se à direção da Faculdade, o Grêmio Acadêmico Jurídico passou a pressionar os políticos e burocratas do Rio de Janeiro.
Enquanto essa campanha se desenrolava, em 1934 "O Acadêmico" foi relançado.
Nessa Segunda encarnação, além de editar material escrito pelos alunos, "O Acadêmico" também publicava artigos escritos pelos professores, como os do Doutor Alcides de Mendonça Lima. Logo "O Acadêmico” granjeou um certo prestigio nos meios jurídicos, provado por um oficio de 1942, constante nos arquivos do Centro Acadêmico Ferreira Vianna, onde a biblioteca da Universidade de Buenos Aires pede exemplares para completar a sua coleção de "O Acadêmico".
Com o ano de 1936 veio o reconhecimento da Faculdade de Direito de Pelotas por parte do Governo Federal, E a partir do início da década de 40, veio o interesse do Grêmio Acadêmico Jurídico Ferreira Vianna pelos grandes debates que marcavam a vida política e social do país: Nessa linha, em
Também destacou-se o Grêmio Acadêmico Jurídico Ferreira Vianna nas campanhas do "Petróleo é Nosso", no início da década de 50, da "Legalidade", em 1961, e das “reformas de base", de 1962 a 1964.
Em 1946, foi criado o Círculo de Palestras "Clóvis Beviláquia" que era um braço do Grêmio Acadêmico Jurídico Ferreira Vianna, voltado para as palestras e conferências. Existiu até 1983. Foi ele o responsável, a partir de 1956, pelas semanas acadêmicas, que atualmente estão na 38° edição, e que são o ponto máximo do calendário da Faculdade de Direito.
Na década de 50, em substituição ao "O Acadêmico", foi lançado "O Universitário", que não pôde consolidar-se.
O Grêmio Acadêmico Jurídico Ferreira Vianna teve também uma grande atuação na luta pela federalização da Faculdade de Direito, fato concretizado em 1950.
No ano de 1959 o órgão mudou a sua denominação para Centro Acadêmico Ferreira Vianna e em 1962 criou um curso pré-vestibular especifico para a Faculdade de Direito. No entanto, essas e outras realizações não impediram que o Centro Acadêmico fosse vítima de várias perseguições pelo regime instaurado no país a partir de 1964. O Centro Acadêmico foi forçado a virar Diretório Acadêmico; vários de seus integrantes foram chamados a prestar depoimentos, perseguidos e até presos. A própria sede chegou a ser invadida. Apesar disso, o órgão nunca deixou de funcionar, mesmo sendo enormemente prejudicado.
Visando arrecadar recursos para as suas atividades, o então Diretório Acadêmico criou em
A partir de 1975, cada gestão passou a ter um nome específico.
A redemocratização do país, no final da década de 70, teve rápido impacto no Diretório Acadêmico Ferreira Vianna. Em 1980, por decisão da Assembléia Geral dos alunos da faculdade, ele voltou a ser Centro Acadêmico, e participou da efervescência política da década de 80, com as Diretas-Já e a Assembléia Nacional Constituinte. Seu órgão informativo na época era o "Libertas".
Nas alturas do ano de 1992 o Centro Acadêmico Ferreira Vianna participa das manifestações pelo "impeachment". Em 1999, é lançado como órgão informativo o "Parem as Máquinas”.
Para finalizar este trabalho desejamos que os 85 anos passados do Centro Acadêmico Ferreira Vianna iluminem os próximos 85, com seu exemplo de dedicação, trabalho, perseverança e idealismo.
Em anexo seguem os nomes dos integrantes das diretorias do Centro Acadêmico Ferreira Vianna.
O autor desde já pede desculpas por eventuais erros e omissões.
Fonte: Arquivo do Centro Acadêmico Ferreira Vianna.
Biografia de Antônio Ferreira Vianna
Antônio Ferreira Vianna, nasceu em Pelotas em 1832 no dia onze de maio. Sua mãe chamava--se Senhorinha da Silveira, de rica e importante família. Basta dizer que foi o seu pai Joio Gonçalves Silveira Galheca, o escolhido para, junto com o vigário Felício Joaquim da Costa Pereira Furtado de Mendonça, transportar a imagem do padroeiro São Francisco de Paula de Mostardas até Pelotas em 1812. Suas ancestrais Isabel Francisca da Silveira e Mariana Eufrásia da Silveira foram as proprietárias da terra onde atualmente se ergue a cidade de Pelotas.
Seu pai, João Antônio Ferreira Vianna Júnior, embora fosse nascido em Portugal, também era rico. Foi vereador de 1832 à 1836, sendo um dos fundadores da loja maçônica "Commercio e Industria" em 1848.
Embora, como a maioria dos rio-grandenses da época, João Antônio não tivesse uma escolaridade regular, compensava com uma grande curiosidade intelectual, como prova a sua filiação à Maçonaria. Logicamente procurou dar a melhor educação possível para o seu filho.
Em 1844, Ferreira Vianna partiu para o Rio de Janeiro matriculando-se no Ginásio Pedro II, então a melhor escola secundária do Império. Em 1850 formou-se "bacharel em Ciências e Letras”. Diferentemente do secundário atual, este título habilitava o portador a lecionar qualquer disciplina na área das Ciências Humanas, e dava livre entrada nas faculdades da época
No ano seguinte Ferreira Vianna matriculou-se na Faculdade de Direito de São Paulo, destacando-se como estudante, orador e jornalista. Basta dizer que em 1852, no seu segundo ano, foi um dos fundadores da revista "Ensaios Literários do Ateneu Paulistano", cabendo-lhe discursar na sessão de 23-05-1852, referente a morte do poeta Álvares de Azevedo, ocorrida havia poucos meses. Só para exemplificar eis o final do discurso:
"Se no passado errei, se te esquecia,
Se a blasfêmia correu nos lábios frios,
Perdão, senhor meu Deus! Que a febre insana
A minh' alma perdeu nos desvarios!”
Em 1854, Ferreira Vianna fez parte da comissão de redação desta revista, e em 1855 foi seu presidente. Ao mesmo tempo, de 1852 à 1853 dirigiu "A Hora", jornal político de São Paulo.
No ano de 1855, Ferreira Vianna gradua-se e em 1856, conquista o titulo de doutor por apresentação de tese. No mesmo ano é nomeado promotor público no Rio de Janeiro, cargo que ocupa até 1860.
Ferreira Vianna começou a sua carreira política elegendo-se deputado geral pelo Rio de Janeiro em 1869. Pelo Rio de Janeiro e se reelegeria sucessivamente até 1889, com exceção de 1878 à 1881, sempre pelo Partido Conservador, ao qual pertenceu até a extinção deste pela República.
Nesse ano de 1868, e até o ano seguinte, ele exerceu o posto de redator chefe do Diário do Rio de Janeiro. Ele viria a fundar e dirigir outro jornal, "A Nação”, e também colaboraria no "Correio Mercantil", todos do Rio de Janeiro, onde morou de 1856 até a morte.
Como a legislação da época permitia, paralelamente à deputado geral, Ferreira Vianna foi vereador pelo Rio de Janeiro, chegando à presidente da Câmara Municipal. Exerceu também a advocacia com muito brilho.
No ano de 1872 tornou-se diretor-geral das Aulas Municipais do Rio de Janeiro. Fundou várias entidades de assistência social, incluindo algumas escolas.
Em 1888 começa o período mais glorioso da vida de Ferreira Vianna. Com a chegada do Conselheiro João Alfredo Correia de Oliveira ao cargo de primeiro-ministro, este chama o nosso biografado para o Ministério da Justiça. Ele então redige e faz aprovar a Lei Áurea, que extinguiu a escravidão no pais. Mas, a glória durou pouco. No ano seguinte o ministério caiu, e em seguida a República foi proclamada. Com isso Ferreira Vianna retirou-se da carreira política, por coerência.
Faleceu no dia 10-11-1903, no Rio de Janeiro.
Antônio Ferreira Vianna foi escolhido patrono do Centro Acadêmico da Faculdade de Direito da Universidade Federal de Pelotas por várias razões. Por ter nascido em Pelotas, por ter-se formado em Direito, pela sua militância estudantil e jornalística, pela carreira política e , principalmente, por ter participado de um dos grandes momentos da história do Brasil.
BIBLIOGRAFIA:
AMARAL, Giana Lange do. O Gymnasio Pelotense e a Maçonaria: Uma Face da História da Educação em Pelotas". Pelotas: Seiva Publicações/Editora Universitária-UFPEL, 1999, pág.203.
MAGALHÃES, Manoel Osório. História e Tradições da Cidade de Pelotas. 3° ed Pelotas: Editora Armazém Literário, 1999. Págs. 16 à 18,23 e 36.
MARTINS, Ari. Escritores do Rio Grande do Sul. Porto Alegre: Editora da URGS, 1978. Págs. 611 e 612.
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