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Do Movimento Estudantil de Direito: as siglas e os sons

POR QUE CANTAMOS – Mario Benedetti

 

Si cada hora viene con su muerte

si el tiempo es una cueva de ladrones

los aires ya no son los buenos aires

la vida es nada más que un blanco móvil

 

usted preguntará por qué cantamos

 

si nuestros bravos quedan sin abrazo

la patria se nos muere de tristeza

y el corazón del hombre se hace añicos

antes aún que explote la vergüenza

 

usted preguntará por qué cantamos

 

si estamos lejos como un horizonte

si allá quedarón árbores y cielo

si cada noche es siempre alguna ausencia

y cada despertar un desencuentro

 

usted preguntará por qué cantamos

 

           Há alguns anos, o CAFV tem colorido pela Faculdade de Direito uma série de siglas que estavam apagadas. De maneira nenhuma as inventamos, porque já bem antes de nós existiam, mas demos a elas um pouco de vida e movimento, ao entrosá-las aos calendários de nossa Faculdade. Essas siglas, com efeito, dizem respeito à ideia de coletividade na construção do Direito; provêm de um esforço regional e nacional por integração e protagonismo estudantil.

 

          Assim é que, desde vários anos, integramos e ajudamos a reconstruir a hoje respeitada  Coordenação Regional de Estudantes de Direito (CORED-RS), conjuntamente com FURG, UFSM, UFRGS, UNIVATES, UNISINOS e UNIRITTER. Também assim que, desde o ano passado, integramos a diretoria da Federação Nacional dos Estudantes de Direito (FENED), antes como Comissão Gestora, ora como Coordenação Nacional de Estudantes de Direito (CONED), conjuntamente com UnB, UFS, UFES, UFRGS, UNIFAP, UNICAP, UFRN, PUC-PR e UFPI.

 

          A FENED, como todos sabemos, sofreu aparelhamento político-partidário no ano passado, o que motivou o CAFV a participar e ser um dos protagonistas da recuperação da entidade, como membro de sua Comissão Gestora, vindo a resultar em um ENED, ocorrido na UnB, de dimensões inigualáveis. Foram mais de 1.500 estudantes presentes, mais de 30 centros acadêmicos de todo o país participando e cerca de 500 pessoas em frente ao MEC, em ato público que reivindicou uma educação jurídica sensível, emancipatória e não-mercantil. Depois dessa volta por cima da FENED, novos contatos estão sendo feitos com o MEC e a OAB, que reconhecem a entidade como legítima e necessária na defesa da educação jurídica.

 

          Contudo não cabe, neste breve espaço, explicar tudo quanto signifique integrar a CONED, o que seguramente será desenho de novas e muitas outras folhas, no decorrer deste e do vindouro ano. Importa todavia expandir, nos entornos da FD/UFPEL, este protagonista canto estudantil, que significa o rompimento com o silêncio, com a apatia, com a resignação.

 

          Vencido, pelo protagonismo estudantil, o ENED/UnB, resta agora juntar nossas vozes às de todos que queiram construir esse protagonismo em nível municipal, regional e nacional. É do espírito dessa construção articular centros acadêmicos das cinco regiões do país na luta pelo que foi democraticamente tirado como posição nacional dos estudantes de Direito, assim construindo-se novos laços e coletividades cuja urgente demanda evoca de nós a mais sincera vontade de encarar quaisquer desafios.

 

          Passamos das siglas aos sons, portanto, porque ocupar coordenações regional e nacional não significa tão-somente reconhecimento do trabalho coletivo que o CAFV desempenha. Significa um desafio, a ser tomado por toda a comunidade da FD/UFPEL. É neste sentido que as respostas de "por que cantar" são mil, mas a canção em si reverbera uníssona: "nas ruas, nas praças, quem disse que sumiu...aqui está presente o movimento estudantil!" Presente, combativo, de luta... e o que mais teus versos trouxerem.

 

Por que cantas?

 

cantamos porque el río está sonando

y cuando suena el río / suena el río

cantamos porque el cruel no tiene nombre

y en cambio tiene nombre su destino

 

cantamos por el niño y porque todo

y porque algún futuro y porque el pueblo

cantamos porque los sobrevivientes

y nuestros muertos quieren que cantemos

 

cantamos porque el grito no es bastante

y no es bastante el llanto ni la bronca

cantamos porque creemos en la gente

y porque venceremos la derrota

 

cantamos porque el sol nos reconoce

y porque el campo huele a primavera

y porque en este tallo en aquel fruto

cada pregunta tiene su respuesta

 

cantamos porque llueve sobre el surco

y somos militantes de la vida

y porque no podemos ni queremos

dejar que la canción se haga ceniza

 

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